Afastamentos médicos12 de julho de 20263 min de leitura

O afastamento que você não contestou em outubro vai custar quanto em abril?

Todo atestado que entra sem ser analisado no momento vira uma conta que só aparece meses depois — no INSS, na perícia ou na audiência. Por que o custo de um afastamento não está na folha do mês em que ele acontece, e o que muda quando você para de tratar cada atestado como papel isolado.

Ramizued MedeirosAdvogado Trabalhista Empresarial

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Todo mês de outubro tem um atestado que ninguém olha com atenção. Chega na correria, o colaborador some por alguns dias, o DP arquiva, a folha fecha. Custou os dias parados — e, na sua cabeça, a conta terminou ali.

Não terminou. Ela só saiu do seu campo de visão.

O custo que não aparece na folha do mês

O erro mais caro que um empresário comete com afastamento é confundir despesa com passivo. A despesa é o que você vê: os dias que o colaborador não trabalhou, o custo de cobrir a ausência. Some, fecha o mês, acabou.

O passivo é o que você não vê: um afastamento que entrou sem ser avaliado, sem documento que registre o que a empresa fez (ou deixou de fazer) diante dele. Esse passivo não pesa em outubro. Ele fica em silêncio, ganhando corpo, esperando o momento de aparecer — e ele sempre aparece na pior hora, com o valor multiplicado.

A diferença entre as duas contas é o que separa o empresário que dorme tranquilo daquele que descobre o tamanho do problema na intimação.

Por que abril?

Porque o passivo trabalhista tem um calendário próprio, e ele não é o seu.

O atestado de outubro pode virar um afastamento previdenciário que se estende. Pode se somar a outros do mesmo colaborador e construir um histórico de habitualidade que muda a natureza jurídica da coisa. Pode, meses depois, ser a peça que faltava para caracterizar um nexo entre a doença e o trabalho — com repercussões que vão muito além dos dias parados. E quando o vínculo se encerra, tudo o que não foi documentado no momento certo reaparece de uma vez, agora do outro lado da mesa, numa audiência.

Abril é uma metáfora. Pode ser março, pode ser o ano que vem. O ponto é: o intervalo entre o afastamento e a conta é justamente o que faz a conta crescer. Quanto mais tempo passa entre o fato e o registro, menos você consegue provar — e menos poder de decisão você tem sobre o próprio custo.

"Contestar" não é o que você está pensando

Aqui mora o mal-entendido que paralisa a maioria dos donos. Contestar um afastamento não é duvidar da doença do colaborador. Não é ser o chefe insensível que persegue quem adoeceu. Não é negar direito.

Contestar, no sentido que importa para o seu negócio, é não deixar um fato importante passar sem registro. É a empresa documentar, no momento em que o afastamento acontece, o que aconteceu e o que ela fez a respeito — com o mesmo cuidado com que você registra uma entrada no caixa. Ninguém acha estranho uma empresa ter controle financeiro. Estranho é ela não ter controle nenhum sobre a segunda maior fonte de passivo que existe: a relação com quem trabalha nela.

O afastamento que você "não contestou" não é o que você recusou. É o que você deixou passar sem olhar — e é exatamente esse que volta caro.

O que muda quando o atestado deixa de ser papel isolado

A virada não está em ser mais duro. Está em parar de tratar cada atestado como um evento avulso que começa e termina no mês em que chega.

Cada afastamento é um ponto numa linha. Sozinho, ele diz pouco. Na linha, ele conta uma história: qual setor adoece mais e desde quando; qual colaborador acumula um padrão; qual custo está se formando antes de virar processo. O dono que enxerga a linha decide com meses de antecedência — e decisão com antecedência é sempre mais barata que reação na audiência.

Você não precisa virar especialista em Direito do Trabalho para ter isso. Precisa parar de decidir no escuro. O afastamento de outubro não precisa ser uma surpresa em abril. Ele só é surpresa quando ninguém estava olhando.


Conteúdo informativo de gestão empresarial. Não substitui a avaliação de um advogado ou médico para o caso concreto.

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O afastamento que você não contestou vai custar quanto?

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Ramizued Medeiros

Ramizued Medeiros

Advogado Trabalhista Empresarial

Há 26 anos traduzindo leis trabalhistas em estratégias de negócio

@ramizuedmedeiros

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